Expetativas para o Estágio
O primeiro passo do estágio passou pela elaboração da lista ordenada de escolas para a sua realização. Para mim, este momento revelou-se relativamente simples, pois tinha a convicção de que queria regressar ao liceu onde concluí o ensino secundário. Retornar à escola onde cresci e passar a ter os meus antigos professores como colegas foi, inicialmente, um choque. Contudo, essa sensação rapidamente se transformou numa experiência marcada pela nostalgia e pela consciência do percurso realizado até aqui, permitindo-me reconhecer a evolução pessoal e académica que me conduziu a este momento. Ao mesmo tempo, senti uma grande felicidade por estar a concretizar algo que sempre desejei, num espaço que representava muito para mim.
Apesar da satisfação associada a este regresso, os nervos e ansiedade eram inevitáveis, sobretudo no que dizia respeito à interação com a turma e à responsabilidade inerente ao papel docente. Surgiram diversas questões: estaria a preparar as aulas da melhor forma? Conseguiria estabelecer uma ligação com os alunos? Seriam recetivos? Seria suficiente para apoiá-los neste último ano do secundário, um período crucial para as escolhas académicas e exames? Estes questionamentos são naturais para qualquer professor estagiário a iniciar a prática docente, refletindo a consciência do desafio que é assumir um novo papel.
À medida que as primeiras aulas decorreram, tornou-se evidente o nível de exigência da prática pedagógica. Para além da lecionação, emergiu a necessidade de planear, elaborar documentos pedagógicos, antecipar diferentes cenários e tomar decisões constantes. Cada aula levantava novas dúvidas relativamente ao planeamento, às estratégias adotadas e à sua adequação ao contexto. Este contacto direto com a realidade permitiu-me compreender que a prática em contexto real é significativamente mais desafiante do que qualquer preparação teórica prévia, exigindo constante adaptação e reflexão.
Com o passar do tempo, a relação com os alunos foi-se construindo de forma gradual e natural. A ansiedade inicial deu lugar a uma preocupação genuína com o seu desenvolvimento académico e pessoal. Reconhecendo a importância do último ano para cada um deles: escolhas de faculdade, exames finais e a despedida do ensino secundário. Esta consciência reforçou em mim a responsabilidade de contribuir positivamente para o seu percurso, de apoiar, orientar e motivar. A cada aula, percebi que o papel do estagiário ia muito além de ensinar conteúdos; consistia em criar um espaço seguro, de confiança e de crescimento, onde os alunos pudessem desenvolver-se plenamente, sentindo-se valorizados e acompanhados.
O Estágio Pedagógico assume, assim, uma importância central no meu percurso formativo, ao representar a transição entre o conhecimento teórico e a prática profissional em contexto real. É uma fase que traz consigo muitas dúvidas, expetativas e algum receio do desconhecido, mais especificamente da turma e dos alunos, mas acredito que é precisamente essa incerteza que torna o processo de aprendizagem tão enriquecedor.
Acredito que esta experiência me vai permitir crescer não só enquanto profissional, mas também enquanto pessoa. Ser professora exige muito mais do que aplicar o que aprendi na teoria, exige capacidade de adaptação, flexibilidade e uma reflexão constante sobre a prática. Cada aula será uma oportunidade de planear, observar, agir e aprender com os erros e os resultados, reconhecendo que cada decisão tem impacto direto no meu sucesso e no desenvolvimento dos alunos.
Senti que este foi um ano desafiante, mas também de grande aprendizagem. Tenho consciência da responsabilidade que o papel de professora implica e, naturalmente, existe alguma ansiedade e medo de não corresponder às expetativas. No entanto, vejo esses sentimentos como parte do processo e como uma motivação para fazer melhor e procurar evoluir.
Neste sentido, encarei o estágio pedagógico como uma oportunidade única de pôr em prática tudo o que aprendi até ao momento, mas também de explorar diferentes abordagens pedagógicas, construir a minha identidade profissional e, acima de tudo, contribuir de forma positiva para o percurso dos alunos, ajudando-os a gostar da disciplina e a acreditarem nas suas próprias capacidades.
Sempre fui uma pessoa que está constantemente à procura de algo: um novo desafio, um próximo objetivo. Acredito que este é um sentimento que nunca vai desaparecer, porque é precisamente o que me dá motivação para continuar, para querer aprender e saber mais. Sinto que, ao longo destes anos de aprendizagem, já cheguei a algum lado com mais conhecimento, mais experiências e uma visão mais madura sobre o que significa ser professora. No entanto, sei que ainda não é suficiente. Vejo este percurso como um caminho contínuo: sempre que penso que já alcancei algo, surge logo um novo objetivo. Acho que isso também se deve à própria evolução dos tempos de hoje, aquilo que se fazia antes nem sempre é o que se faz agora. O mundo muda constantemente, as pessoas mudam também, e isso faz com que surjam sempre novas formas de ensinar, de aprender e de pensar. Por isso, sinto que estou sempre a adaptar-me, a enfrentar coisas novas e a crescer com cada mudança. Talvez seja por isso que sou feliz nesta área porque estou sempre a aprender.
Acho que a minha identidade como professora se constrói a partir de tudo o que já vivi e experienciei. Cada etapa do meu percurso contribuiu para me tornar mais capaz e mais profissional. Acredito que, no ensino, tudo o que acontece tem um propósito e traz uma aprendizagem, mesmo quando cometemos erros. Muitas vezes, quando algo não corre bem, é fácil pensar que falhámos porque não somos suficientemente bons ou porque fizemos tudo errado. Mas, para mim, esses momentos são os mais valiosos, porque me obrigam a parar, refletir e perceber o porquê das coisas. São eles que me ajudam a encontrar novas formas de melhorar.
Não acredito que seja através da perfeição que evoluímos, mas sobretudo através da reflexão crítica sobre a prática. Tanto os sucessos como as dificuldades constituem oportunidades de aprendizagem. É na forma como analisamos as nossas decisões, ajustamos estratégias e procuramos melhorar continuamente que realmente crescemos. É nesse processo reflexivo que reside uma das maiores aprendizagens do estágio pedagógico e do exercício da profissão docente.
